9. CULTURA 20.2.13

1. O JACKSON QUE MICHAEL APROVOU
2. EM CARTAZ  MSICA - TODO AQUELE JAZZ
3. EM CARTAZ  LIVROS - COLMBIA A DISTNCIA
4. EM CARTAZ  EXPOSIO - HUMOR EM TRAOS RPIDOS
5. EM CARTAZ  DVD - O MUNDO DAS GANGUES
6. EM CARTAZ  CINEMA - A PEQUENA NOTVEL
7. EM CARATZ  AGENDA - THE FOLLOWING/MOVIE-SE/O CRUZEIRO
8. ARTES VISUAIS - ENCONTROS MARCADOS
9. ARTES VISUAIS  ROTEIROS  SOBRE PAPEL, PEDRAS E ESTAES DO ANO

1. O JACKSON QUE MICHAEL APROVOU
Primeiro e nico musical biogrfico que teve o aval do prprio popstar explora o seu lado feminino e ser visto no Brasil com cantores e danarinos brasileiros no elenco
Aina Pinto

NO AUGE - Cena do espetculo, em Londres. Jackson assistiu, gostou e declarou:
 " bonito"
 
Somente na ltima semana, depois de quatro anos de sua morte,  que se descobriu que Michael Jackson viu e aprovou sem ressalvas um musical que conta a histria de sua vida. A informao foi dada pelo diretor e coregrafo ingls Gary Lloyd e, na sequncia, confirmada pela famlia do popstar. Jackson teria dito sobre o show:  bonito. Trata-se de Thriller Live, um espetculo que explora de maneira explcita inclusive o seu lado feminino. A partir da sexta-feira 22, o pblico brasileiro vai ter o privilgio de conhecer a montagem, que j passou por 23 pases, com mais uma inovao: essa ser tambm a nica vez que o musical ganhar uma produo nativa, com parte do elenco escolhido no Brasil. Aps a temporada no Rio de Janeiro (no Citibank Hall), o espetculo viaja para So Paulo e Belo Horizonte, mostrando as diversas fases musicais do cantor, desde a infncia como vocalista do grupo Jackson 5 at o momento em que se preparava para voltar aos palcos em 2009. Jackson foi o artista mais inventivo da msica, da dana e dos videoclipes e, por isso,  uma referncia at hoje. O show trata disso, diz Lloyd, que no incluiu no enredo nada da vida pessoal do artista, nem sequer suas cirurgias plsticas. 

INOVAO - Musical de R$ 10 milhes utiliza 14 bailarinos brasileiros
 
Alm das 33 msicas e das elaboradas coreografias, tudo foi estudado em detalhes para melhor representar Jackson. As jaquetas de lantejoulas do figurino, por exemplo, trazem um imenso V nas costas, feito apenas de tecido, sem os paets. Pode parecer um pormenor irrelevante, mas revela um pouco da personalidade do cantor. Jackson comeou a usar roupas com esse corte depois de se acidentar durante a gravao de um comercial e queimar o couro cabeludo. A partir da, passou a se preocupar obsessivamente com os cabelos  inclusive para que eles no se enroscassem nos bordados de suas jaquetas. Esse episdio aconteceu no auge da carreira, em 1984, perodo bem ilustrado no musical. Outros ngulos mostrados no palco representam a sua fase soul, o momento em que flertou com o rock e o misterioso trao que paira sobre tudo isso, a j citada persona feminina.
 
Como acontece em todas as montagens de Thriller Live, tambm no Brasil esse personagem ser interpretado por uma mulher.
Ter uma garota entre os cantores traz no somente essa feminilidade como tambm um elemento que remete a Janet (irm do cantor), diz Lloyd.
 
Na montagem nacional, o papel feminino ficou com Leilah Moreno. Desde os cinco anos, eu j imitava Michael Jackson. No acho que ele tivesse essa feminilidade toda, era bem masculino no seu jeito de danar, diz a cantora. Alm dela, h outro intrprete brasileiro atuando como Jackson, ao lado de ingleses e americanos: Renato Marques. Na fase infantil, quatro crianas vivem o astro na poca do Jackson 5, todas escolhidas no Pas. Elas se revezaro nos cinco espetculos semanais. Os 14 bailarinos so daqui e foram a razo de o diretor ter montado parte do elenco no Pas. Lloyd j conhecia a fama dos danarinos brasileiros, realizou testes sem o compromisso de cham-los para o trabalho e terminou por us-los em todo o corpo de dana.

PORO MULHER - Leilah Moreno como Jackson feminino: ele influenciou tambm as cantoras
 
As confuses em torno do esplio e mesmo da guarda dos filhos de Michael Jackson no mudaram o curso do musical, que j soma mais de duas mil apresentaes. Mostramos o show para a comisso dos direitos autorais. Tnhamos limitaes sobre que histria contar e em que ordem cronolgica, afirma o coregrafo. Aps a morte de Jackson, alguns de seus irmos apareceram de surpresa no teatro. Faziam um documentrio sobre a famlia e, com as cmeras ligadas, assistiram aos primeiros 15 minutos. Depois, a equipe de filmagem saiu e eles ficaram at o fim. Eles cantaram junto, danaram, choraram. No final, foram nos dizer que adoraram, diz Lloyd, que no revela detalhes do contrato. Com custo de R$ 10 milhes e 30 toneladas de som e luz, Thriller Live abrange um repertrio de 33 msicas tocadas ao vivo e rene uma equipe tcnica de 100 pessoas, 50 delas artistas. No guarda-roupa, 450 peas de figurino, 300 pares de sapato e um item muito especial: a icnica luva branca que Jackson usou no clipe da msica Bad.


2. EM CARTAZ  MSICA - TODO AQUELE JAZZ
por Ivan Claudio

Msico de grande flego (literalmente), o trompetista americano Miles Davis esteve  frente das duas maiores revolues jazzsticas: o bebop e o cool jazz. Mas no fez isso sozinho. Suas bandas, geralmente quintetos, reuniam os mais talentosos jovens instrumentistas, caso da formao que trazia o pianista Herbie Hancock, o saxofonista Wayne Shorter, o baixista Ron Carter e o baterista Tony Williams. Esse legendrio grupo pode ser ouvido  e visto em DVD  no disco qudruplo Miles Davis Quintet  Live in Europe 1967. Trata-se de registros inditos da banda executando msicas dos lbuns que gravou entre os anos 1965 e 1967 - E.S.P, Miles Smiles, Sorcerer e Nefertiti. Entre as faixas aparecem Agitation, Footprints, Gingerbread Boy, Masquelero e Riot, alm de clssicos anteriores como Round Midnight.

+5 discos de Miles Davis
Birth of cool 
Disco fundador do cool jazz, de atmosfera suave e envolvente. Participao de Gerry Mulligan (sax) e Max Roach (bateria)
 
Round about Midnight
 Abre com a msica Round Midnight, de Thelonious Monk. John Coltrane toca sax tenor
 
Kind of Blue 
Marcado pela improvisao,  o disco de jazz mais vendido da histria. Traz Bill Evans ao piano
 
Sketches of Spain Gil 
Evans assina os arranjos dessa brilhante releitura de temas espanhis como o Concierto de Aranjuez
 
Bitches Brew (foto) 
Marco do jazz rock, traz Chick Corea, John McLaughlin e o brasileiro Airto Moreira


3. EM CARTAZ  LIVROS - COLMBIA A DISTNCIA
por Ivan Claudio

Marcado pela violncia em seu pas, o escritor colombiano Juan Gabriel Vsquez precisou se afastar de sua ptria para melhor entend-la  e o faz brilhantemente em O Rudo das Coisas ao Cair (Alfaguara). Escrito na Espanha, o livro trata da amizade entre um professor universitrio e um ex-presidirio envolvido com trfico. O assassinato do amigo o leva a investigar o seu passado, pretexto para Vsquez fazer uma radiografia sobre o impacto do narcotrfico no cotidiano dos colombianos.


4. EM CARTAZ  EXPOSIO - HUMOR EM TRAOS RPIDOS
por Ivan Claudio

Grana, Zeferino e os Fradins ganharam vida de novo. Eles esto na mostra 25 Anos sem Henfil (Rioprevidncia Cultural, Rio de Janeiro, at 28/2) com mais 60 personagens antolgicos do cartunista Henrique Souza Filho, morto em 1988. Henfil perseguiu a ditadura militar, assim como essa perseguiu a esquerda nos chamados anos de chumbo, na dcada de 1970. A diferena  que as armas dele eram o desenho e a ironia. H quadrinhos, charges e textos do livro Cartas da Me, todos selecionados por seu filho, Ivan de Souza.


5. EM CARTAZ  DVD - O MUNDO DAS GANGUES 
por Ivan Claudio

Aps renovar o pop com a pera rock Tommy, a banda inglesa The Who repetiu a dose em Quadrophenia, disco de 1973 sobre esquizofrenia, enfrentamento de gangues e a realidade dos jovens londrinos daquela poca. Seis anos depois, a histria ganhou as telas em tima adaptao que  lanada agora em DVD. O enredo, passado nos anos 1960, acompanha Jimmy, membro de uma gangue mod (obcecada pela cultura dos anos 1950), inimiga da tribo dos rockers. Durante um feriado de trs dias, os dois grupos se enfrentam. No papel do mod Ace Face aparece o msico Sting, em incio de carreira. Reunido recentemente, o The Who est em turn com um show centrado nesse disco antolgico.


6. EM CARTAZ  CINEMA - A PEQUENA NOTVEL
por Ivan Claudio

Dirigido pelo estreante Benh Zeitlin, o drama Indomvel Sonhadora j faz parte da histria do Oscar por ter garantido  menina Quvenzhan Wallis uma indicao como melhor atriz. Com 9 anos, ela  a mais jovem a concorrer nessa categoria. Quvenzhan interpreta uma garota que vive com o pai numa comunidade s margens de um rio no sul dos EUA. Ele cai doente, recusa ajuda mdica e, esperando o pior, incentiva a sua filha a ser independente. Rodado ao custo de US$ 1,8 milho, o filme concorre tambm como melhor filme, melhor roteiro adaptado e melhor diretor.


7. EM CARATZ  AGENDA - THE FOLLOWING/MOVIE-SE/O CRUZEIRO
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio

THE FOLLOWING
 (Warner Channel, 21/2, 22h50)  Srie sobre a perseguio a um serial killer que comanda uma rede de 300 criminosos. Kevin Bacon faz o agente do FBI que volta  ativa para comandar a misso
 
MOVIE-SE 
 (CCBB, Rio de Janeiro, at 7/4)  Organizada pelo Barbican Centre, de Londres, a mostra apresenta de forma cronolgica a histria da animao nos ltimos 150 anos
 
O CRUZEIRO
 (IMS, So Paulo, at 31/3)  A exposio As Origens do otojornalismo no Brasil rene 400 imagens que ilustraram as pginas da revista O Cruzeiro entre os anos 1940 e 1950


8. ARTES VISUAIS - ENCONTROS MARCADOS
Tomie Ohtake faz 100 anos e, para festejar,  cercada por 53 artistas brasileiros em mostra comemorativa em que o tom retrospectivo  deixado de lado
Nina Gazire

TOMIE OHTAKE  CORRESPONDNCIAS/ Instituto Tomie Ohtake, SP/ at 24/3
 TOMIE OHTAKE/ Galeria Nara Roesler, SP/ de 21/2 a 23/3

UNIVERSAL - Tela "Sem-Ttulo", de 1962, mostra o gestual das formas abstratas de Tomie Ohtake
 
Em seu clssico tratado sobre a cultura japonesa, A Espada e o Crisntemo, a antroploga americana Ruth Benedict escreve sobre o paradoxo que o olhar ocidental enfrenta ao tentar compreender o Japo. Delicadeza e fora, disciplina e suavidade, a espada e o crisntemo. Talvez esse estado dbio, porm no necessariamente indefinido, seja ideal para descrever a obra de Tomie Ohtake, uma das maiores artistas nipo-brasileiras, que em 2013 completa 100 anos de trajetria.
 
Reconhecida por seu abstracionismo informal, Ohtake  dona de uma produo que constantemente se renova em um experimentalismo que, segundo os curadores Agnaldo Farias e Paulo Miyada, se estabelece em uma trade na qual cor, gesto e textura se alternam harmoniosamente, como os binmios propostos por Ruth Benedict em relao  cultura nipnica. Farias e Miyada so os responsveis pela mostra Correspondncias, a primeira das quatro exposies comemorativas do centenrio de Tomie Ohtake programadas para este ano.
 
Quando chegou ao Pas em 1934, aos 21 anos, a japonesa nascida em Kioto, hoje naturalizada brasileira, ainda no era pintora. Tornou-se artista, de certa maneira, tardiamente, aos 40 anos, durante os anos 1950. E  a partir de sua produo realizada naquela dcada que a mostra coloca sua obra em dilogo com a de outros 53 artistas brasileiros de diferentes geraes com trabalhos em vrios suportes. A curadoria no se deu como uma sequncia cronolgica ou por meio de questes como as da influncia geracional, e sim pelo modo como os artistas resolvem ou executam suas criaes, enfrentando questes semelhantes s que existem na obra de Ohtake, explica Farias. 

COSMOS - Obra "Huble 13", de Manuel Veiga, se apropria de imagem da Nasa
 
Dividida em trs eixos, distribudos em duas salas, as obras esto reunidas por afinidades em seus contextos de cor, gestualidade e matria. Telas de Tomie, como as conhecidas Pinturas Cegas, que alternam planos escuros e claros, criando contrastes de luz e sombras, dialogam com a obra fotogrfica de artistas como Claudia Andujar e Cristiano Mascaro, que tambm lidam com contrastes luminosos na imagem.
 
Apesar de ser uma mostra comemorativa, o tom retrospectivo foi deixado de lado. A produo inicial de Tomie, que teve um incio figurativo, fica de fora para dar espao  srie de formas csmicas e circulares que entram em contato, por exemplo, com o trabalho do artista Manuel Veiga, que em sua obra Huble 13 transforma uma fotografia do universo, captada pelo telescpio da Nasa, em uma imagem de forte carter pictrico. Queremos apresentar  artista novos amigos, novos artistas que se veem em sua obra.  um gesto intuitivo que cruza, atravs do tempo, trabalhos, realizando, assim, um exerccio de liberdade, comenta Miyada.
 
Aos 99 anos (ela completa 100 em novembro), Ohtake segue com produo ativa e indita que ser mostrada em outra exposio, na Galeria Nara Roesler, em So Paulo. A individual, que tambm  assinada por Agnaldo Farias, apresenta 20 obras, entre esculturas recentes e uma nova srie de pinturas produzidas entre 2012 e 2013.


9. ARTES VISUAIS  ROTEIROS  SOBRE PAPEL, PEDRAS E ESTAES DO ANO
Dirio de Kioto - Marco Giannotti/ WMF Martins Fontes/ R$ 60
por Paula Alzugaray

Convidado a ministrar aulas sobre cultura brasileira na Universidade de Estudos Estrangeiros de Kioto no ano letivo de 2011, o artista Marco Giannotti chegou ao Japo em abril, no florescer da primavera e das cerejeiras. Mas tambm um ms depois do terremoto e do tsunami que levaram ao acidente nuclear em Fukushima, no norte do pas. Os fenmenos inspiraram a escritura de um texto sobre as dimenses de estabilidade e efemeridade em uma terra que treme. Em Contemplando Pedras em Kioto, o artista contrape a fugacidade do jardim de cerejeiras  a florada dura apenas duas semanas   perenidade do jardim de pedras de Ryoan-ji, fundado em 1450 em Kioto. Comparado pelo artista a uma instalao de arte contempornea, o jardim de pedras  colocado como exemplo da capacidade japonesa de procurar estabilidade quando tudo o que  slido parece se desmanchar no ar.
 
O estudo  o primeiro de uma srie de artigos que compem Dirio de Kioto, que ser lanado em 21 de fevereiro no Instituto Tomie Ohtake, em So Paulo. O livro traz uma compilao de textos publicados por Giannotti em O Estado de S.Paulo, em 2011. Eles dividem as pginas com fotografias e reprodues de colagens realizadas no Japo com papel washi, feito a partir de folhas de amoreira.
 
Repletos de referncias e citaes literrias, os escritos mostram que, para ministrar o curso de cultura brasileira no Japo, Giannotti, que  professor de pintura na Universidade de So Paulo, estudou profundamente a cultura japonesa. A descoberta de grandes escritores como Kawabata, Tanizaki e Mishima me permitiu conhecer um pouco mais os costumes japoneses e sua viso de mundo, escreve ele. Seus artigos so rpidas pensatas, que chamam a ateno para aspectos interessantes no apenas da cultura local, mas dos cruzamentos entre Oriente e Ocidente, ou Brasil e Japo.
 
Paisagismo e arquitetura so dois eixos que estruturam textos, colagens e fotografias. Mas  nas colagens, usadas pelo artista como veculo de uma filtragem intimista de toda a sua experincia, que vem  tona a grande expresso da viagem.  nas colagens que toda a leveza do papel e toda a perenidade das pedras se fazem notar e vibrar.


